Feminismo marcou a cultura pop em 2015

Por Reinaldo Glioche , iG São Paulo |

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Tema esteve em alta nas ruas, na internet e nas artes. Mulheres se pronunciaram, por meio de suas obras ou na mídia, e capitanearam uma mobilização inédita na contemporaneidade

Não precisa de distância histórica para perceber que 2015 foi o ano do feminismo. Nas ruas, nas artes, na internet e, essencialmente, na cultura. Da cerimônia do Oscar ao Enem, passando por hashtags amplamente debatidas como #primeiroassédio, #AgoraéQueSãoElas e #AskHerMore, o ano se encerra sob a “primavera das mulheres”, como cunhou a jornalista e fundadora da ONG Think Olga, Juliana Faria, dedicada a produzir conteúdo que promova  o empoderamento feminino e reflita sobre a complexidade do gênero.

Patricia Arquette deu o discurso mais inflado do Oscar em anos e ele foi todo feminista
Kevin Winter/Getty Images
Patricia Arquette deu o discurso mais inflado do Oscar em anos e ele foi todo feminista

Antes mesmo do reverenciado discurso de Patricia Arquette no último Oscar, a hashtag #AskHerMore já provocava o establishment ao sugerir que os jornalistas do tradicional tapete vermelho perguntassem mais além das tradicionais palavras “Quem você está vestindo?”.

Taylor Swift, que até o lançamento de “25”, de Adele, recentemente, se destacara como a principal cantora do ano, disse em abril que “não havia se sentido oprimida até se tornar mulher”. A cantora, posteriormente, foi acusada de usar o feminismo como hype para se promover.

A declaração, no entanto, está inserida em um contexto que deu a tônica da Hollywood de 2015. Atrizes como Jennifer Lawrence - que chegou a publicar um artigo no New York Times – Kate Winslet, Julia Roberts e Rooney Mara se pronunciaram contra a diferença salarial entre homens e mulheres em Hollywood. “A questão não se trata de lutar para que celebridades ganhem mais milhões. E sim mostrar, com esses casos, que as injustiças de gênero acontecem em todas as esferas. Machismo não tem fronteiras. E é esse ensinamento que tiramos”, observa Faria quando indagada se uma discussão sobre os salários de estrelas hollywoodianas não desvirtuaria o debate.

Mas foi mesmo a internet que melhor tangenciou o feminismo em 2015. “A internet tem o poder de nos conectar. A internet é uma ferramenta poderosa de movimentação e transformação, mas principalmente de união”, teoriza Faria. “De conectar mulheres diferentes, em locais diferentes, com backgrounds diferentes, mas com histórias, traumas, medos e sonhos iguais”.

Aline Riscado, a Verão da campanha da Itaipava que deixa 2015 menos machista do que começou: o poder de mobilização das redes sociais
Divulgação
Aline Riscado, a Verão da campanha da Itaipava que deixa 2015 menos machista do que começou: o poder de mobilização das redes sociais

A publicidade, mais do que em qualquer outro ano, sentiu os efeitos dessa união propiciada pela web e redes sociais. De campanhas do governo federal percebidas como machistas a propagandas de cerveja, passando até mesmo por um comercial de remédio para cólica, a mobilização feminista conseguiu que conteúdos como esses fosse removidos.

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“Não penso que o feminismo especificamente esteja a reboque da internet. Acho que ele está em todo lugar, cada vez mais, ainda bem. Entendo que a reboque da internet talvez estejamos todos nós, pessoas e veículos de comunicação, o que acaba dando importância para o meio. Mas essa 'revolução', na minha opinião, é muito física, muito real, bastante off-line”, pontua Vitor Vieira, diretor de business intelligence da Ideal H+K Strategies, empresa de conteúdo e social advertising na internet.

Empoderadas brasileiras

Imagens do filme
Divulgação
Imagens do filme "Que Horas Ela Volta?"

De Valesca Popozuda a “Que Horas Ela Volta?”, principal filme brasileiro do ano, o feminismo também esteve em alta na cultura pop brasileira. Clarice Falcão lançou um clipe-resistência contra a violência à mulher; a cineasta Lúcia Murat, no filme “Em Três Atos”, revisitou a obra de Simone de Beauvoir; Petra Costa escreveu e dirigiu o documentário “Olmo e a Gaivota”, que aborda a maternidade pelo viés das transformações físicas e emocionais que ela impõe à mulher; a fotógrafa Maria Ribeiro lançou o livro “Nós Madalenas – Uma Palavra pelo Feminismo”, em que propõe um olhar criativo e original sobre o tema que pautou 2015. Esses são apenas alguns exemplos do protagonismo feminino na produção cultural no ano.

Para Juliana Faria, o fato de o tema ter tido tanta projeção e tanta penetração na internet em 2015 ajudou a sociedade a se conscientizar mais. "Sou otimista e acho que estamos no caminho certo".

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