"Selma" mostra luta de Martin Luther King Jr. pelo direito de voto aos negros

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Diretora Ava DuVernay acerta ao retratar tanto os avanços quanto os desafios que permanecem na luta por igualdade

Em 1965, Martin Luther King Jr. liderou uma histórica marcha pelo Estado americano do Alabama para assegurar aos negros um direito básico: votar. Cinquenta anos depois, com Barack Obama na presidência dos EUA, a mesma marcha é retratada em "Selma - Uma Luta Pela Igualdade", ótimo filme de Ava Duvernay que estreia nesta quinta (5).

Análise: Oscar celebra independentes e escancara falta de diversidade de Hollywood

Imagem do filme 'Selma'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Selma'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Selma'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Selma'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Selma'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Selma'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Selma'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Selma'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Selma'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Selma'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Selma'. Foto: Divulgação

Desconhecida por boa parte do público brasileiro, a caminhada entre as cidades de Selma e Montgomery foi inicialmente repreendida com violência e culminou em uma legislação federal, assinada pelo então presidente Lyndon B. Johnson, que impediu as manobras feitas por cada Estado para evitar que a população negra se registrasse para votar.

"Selma" mostra os bastidores da marcha: as negociações entre King Jr. (David Oyelowo) e Johnson (Tom Wilkinson); o diálogo com outros grupos do movimento negro; a resistência de autoridades como o governador do Alabama, George Wallace (Tim Roth, ótimo); a adesão de brancos à marcha, conforme as imagens de violência percorreram o país; e a vida doméstica de King Jr., abalada por sua dedicação à luta pelos direitos civis.

Ava DuVernay, diretora de 'Selma'
Dimitrios Kambouris/Getty Images
Ava DuVernay, diretora de 'Selma'

É um retrato íntimo de uma das figuras mais importantes da história americana, mas que consegue ir além do desgastado formato das cinebiografias. Como muitos filmes do gênero, "Selma" romantiza a ficção (o tom de um jornalista que cobre a marcha, por exemplo, soa excessivamente solene e pouco natural), não esconde a simpatia pelo personagem e foi acusado de distorcer a realidade, com ex-assessores de Johnson dizendo que o presidente foi injustamente retratado como contrário ao avanço do movimento civil.

Mas o que eleva o trabalho de Duvernay é o fato de o filme evidenciar a enorme e inegável contribuição de Martin Luther King à luta pelos direitos dos negros, mas também escancarar o longo caminho que ainda precisa ser percorrido.

No filme, King erra, hesita, tem dúvidas e inseguranças. Questiona, ele mesmo, o real significados dos feitos históricos que ajudou a conquistar. 

Em uma das melhores cenas, pergunta de que adianta os negros poderem sentar nas mesmas cadeiras que os brancos dentro de uma lanchonete, se não têm dinheiro para pagar pela comida ou se não sabem ler o cardápio porque não foram à escola. Sutilmente, o filme questiona se as mortes de líderes e cidadãos comuns, que sem dúvida ajudaram a chamar atenção para a causa, foram honradas por uma mudança real.

Veja o trailer de "Selma - Uma Luta Pela Igualdade":

É o tipo de cena e diálogo que traz "Selma" imediatamente para os dias de hoje, para a complexa realidade dos Estados Unidos ou mesmo do Brasil. DuVernay presta um belo tributo a King, mas multiplica a força de seu filme ao evocar as desigualdades que permanecem, e que estão no cerne de questões tão variadas quanto os recentes assassinatos de jovens negros americanos e a ausência de atores negros entre os 20 indicados ao Oscar deste ano. 

Que David Oyelowo não esteja entre os escolhidos da Academia é, sem dúvida, a maior injustiça do ano. O britânico retratou com perfeição os trejeitos e o modo de falar de King, do tom de voz à forma com que alongava e dava ênfase a algumas palavras. Mas fez mais: captou a essência de um orador bilhante, mesmo sem usar os discursos originais, cujos direitos de adaptação foram vendidos em 2009 pela família de King aos estúdios DreamWorks e Warner Bros. para um filme que Steven Spielberg pretende produzir.

É uma atuação comovente e arrepiante, que não apenas deveria ser indicada ao maior prêmio da indústria cinematográfica - deveria ganhar.

Siga as redes sociais do ON:

Curta a página do ON no Facebook

Acompanhe o ON no Google+

Siga o ON no Twitter

Leia tudo sobre: selmaava duvernaydavid oyelowocinemaoscar 2015martin luther king

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas