Diretor usa iPhone para filmar curta-metragem íntimo e romântico em Nova York

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Tristan Pope fala ao iG sobre "Romance in NYC", filme rodado inteiramente no celular que está sendo exibido em festivais

Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. A máxima que pautou o Cinema Novo nos anos 1950 também guia o diretor americano Tristan Pope, que atualmente percorre festivais internacionais com o curta-metragem "Romance in NYC". Com uma diferença: a câmera em questão é um telefone celular - mais especificamente, um iPhone 6.

"Romance in NYC" foi inteiramente rodado com a câmera do aparelho da Apple, num processo que envolveu três dias de filmagens, entre duas e três semanas de pós-produção e um orçamento de US$ 7,5 mil (R$ 23 mil) obtido em uma campanha de crowdfunding.

Imagem do curta 'Romance in NYC'
Milan Maric
Imagem do curta 'Romance in NYC'

Sem diálogos, o curta mostra momentos íntimos de um casal na cidade de Nova York, de um passeio no parque a um jantar romântico. A perspectiva é a do namorado, interpretado pelo próprio Pope, que não aparece inteiramente em cena: com a câmera posicionada na altura dos olhos, o diretor-personagem buscou dar ao público a sensação de ver o mesmo que ele.

Pope, que tem 31 anos e vive em Nova York, descobriu o interesse pela direção quando cursava teatro na universidade. Filmes caseiros, porém, faziam parte de sua rotina: "Sempre tive uma câmera na mão", contou, em entrevista por telefone ao iG. "Sempre fiz esses vídeos com namoradas e familiares. Então pensei: agora tenho a mídia perfeita."

Imagem do curta 'Romance in NYC'. Foto: Milan MaricImagem do curta 'Romance in NYC'. Foto: Milan MaricImagem do curta 'Romance in NYC'. Foto: Milan MaricImagem do curta 'Romance in NYC'. Foto: Milan MaricImagem do curta 'Romance in NYC'. Foto: Milan MaricImagem do curta 'Romance in NYC'. Foto: Milan MaricImagem do curta 'Romance in NYC'. Foto: Milan MaricImagem do curta 'Romance in NYC'. Foto: Milan MaricImagem do curta 'Romance in NYC'. Foto: Milan MaricImagem do curta 'Romance in NYC'. Foto: Milan MaricImagem do curta 'Romance in NYC'. Foto: Milan MaricImagem do curta 'Romance in NYC'. Foto: Milan Maric

A ideia de "Romance in NYC" veio durante as filmagens de um curta anterior, "Dancers of NYC", de menor duração mas também filmado com um celular. Quando Pope viu a imagem do sol na câmera do iPhone, se impressionou com a qualidade e se lembrou de um antigo projeto com o qual queria "mostrar as nuances diárias do amor".

"Não queria usar uma grande câmera, ter uma equipe numerosa e enorme preparação. Nesse caso, queria que fosse íntimo", disse. "O filme pedia algo que o celular faz muito bem."

Imagem do curta 'Romance in NYC'
Milan Maric
Imagem do curta 'Romance in NYC'

Contando Pope, a equipe de "Romance in NYC" era composta por seis pessoas. Durante as filmagens ele seguiram um roteiro básico, com definição de cenários e momentos que deveriam ser capturados, mas sem nada muito fechado. "Houve bastante improviso", contou.

Truques de filmagem

Entre todos os celulares, Pope diz ter escolhido o iPhone 6 pela "qualidade e confiabilidade" da câmera. "Em nenhum momento meu telefone desligou ou uma tomada deu errado."

Mas ele teve de recorrer a aplicativos, acessórios e alguns truques para driblar as limitações do aparelho. A falta de estabilidade foi reduzida com o uso de suportes, inclusive um "GorillaPod" que o diretor usou no próprio rosto. Para captar cenas noturnas, foi preciso reforçar a iluminação. Em uma cena em um restaurante, por exemplo, o espectador só vê uma vela na mesa do jantar, mas, na verdade, são três. No pós-produção, Pope usou programas de computador para corrigir problemas de som e granulação da imagem. Mas sem exageros.

"Não me importei em ter um pouco de instabilidade. Pensava que, no fim das contas, o que importava era a história. Se a história estivesse sendo contada, as pessoas iam relevar."

Imagem do curta 'Romance in NYC'
Milan Maric
Imagem do curta 'Romance in NYC'

Como os festivais de cinema não costumam exibir filmes que já estejam disponíveis na internet, "Romance in NYC" só vai chegar à web depois de encerrar a carreira internacional (o curta foi selecionado, por exemplo, pelo Festival Internacional de Cinema de Madrid e pelo Festival de Novos Diretores de Nova York).

Pope também já deu duas palestras sobre a chamada "mobile filmmaking", uma no Festival Internacional de Cinema de Toronto e outra em uma loja da Apple. 

Para o diretor, o formato é democrático pelo baixo custo e pela mobilidade. "Antes todos tínhamos aquelas câmeras gigantes. Hoje, temos um telefone no bolso. Isto faz com que seja muito mais fácil contar histórias, e que mais gente se sinta encorajada a tentar."

Mas ele avisa: "As pessoas esquecem que ainda é preciso entender de direção, de som, de luz. Não é porque você tem uma câmera no bolso que precisa fazer um filme."

Veja o making of de "Romance in NYC":

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