Com três séries na temporada, Ryan Murphy se consolida como rei da TV americana

Por Reinaldo Glioche , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Homossexual assumido e militante, produtor satiriza costumes americanos em suas séries e tem liberdade total para polemizar

Já virou hábito dizer que a TV americana vive sua era de ouro, mas poucos parecem perceber quem está sentado no trono dourado do concorrido horário nobre da produção televisiva atual. Jornalista com passagens por prestigiadas publicações americanas como "Los Angeles Times" e "Entertainment Weekly", Ryan Murphy é hoje o showrunner (pessoa responsável pelo comando de uma série) mais poderoso e influente de Hollywood.

Ryan Murphy estreou nesta semana
Divulgação
Ryan Murphy estreou nesta semana "Scream Queens" e ainda chega à TV em outubro com "American Horror Story: Hotel", com Lady Gaga no elenco

Na Fall Season 2015/2016, iniciada após a cerimônia do Emmy Awards no último domingo (20), Murphy terá três séries em exibição. Não é um recorde na história da televisão, mas é um feito notável em uma grade cada vez mais concorrida e pressionada por novas tendências como a Netflix e os serviços sob demanda.

Jessica Lange em foto promocional da série
Divulgação
Jessica Lange em foto promocional da série "American Horror Story"

“Scream Queens”, que estampou as capas de publicações de entretenimento dos EUA, estreou sem fazer estardalhaços na audiência na terça-feira (22), mas repercutiu nas redes sociais. O programa é uma sátira aos slasher movies, subgênero do terror que destaca assassinos psicopatas que matam aleatoriamente.

O terror, aliás, tem sido uma boa morada para a imaginação de Murphy. Em 7 de outubro estreia a 5ª temporada de “American Horror Story”, série recordista em indicações ao Emmy e que popularizou o formato antologia na TV. Cada ano do programa conta uma história com o arco fechado. Depois da criação de Murphy vieram outros programas na esteira como “True Detective”, “Fargo”, “Secrets and Lies” e “American Crime”.

O quinto ano de “American Horror Story”, intitulado “Hotel”, é o que apresenta mais novidades no elenco – Lady Gaga e Michelle Pfeiffer são as maiores atrações –  e chega ao Brasil no mesmo dia dos EUA com o hype em franca expansão. Murphy admitiu recentemente a possibilidade de fazer duas temporadas da série no próximo ano.

Sem medo de polêmica

Sem se preocupar com o rótulo de ‘workaholic’, Murphy estreia “American Crime Story” em fevereiro de 2016. A exemplo de “American Horror Story”, a atração terá uma história diferente a cada ano e se propõe a apresentar em cada temporada a dramatização de um crime que tenha chocado a sociedade norte-americana.

Com John Travolta, Cuba Gooding Jr., Sarah Paulson, David Schwimmer, entre outros, o primeiro ano da série vai abordar o caso O.J Simpson, sobre o famoso jogador de futebol americano que foi julgado pelo assassinato da mulher.

"Popular" foi a primeira incursão de Murphy na TV e já dava pistas de seu humor sagaz. Foto: DivulgaçãoSexo, drogas, mulheres e plásticas... "Nip/Tuck" mostrava a rotina de dois cirurgiões em Miami e durou sete temporadas. Foto: DivulgaçãoO musical "Glee" virou febre com números musicais contagiantes e homenagens a ícones da música. Durou 6 temporadas. Foto: DivulgaçãoCena da 3ª temporada de "American Horror Story" que tratou das muitas rivalidades em um clã de bruxas. Foto: DivulgaçãoApós o sucesso de "Glee" e "American Horror Story", Murphy tentou fazer uma sitcom sobre um casal gay que resolve ter um filho. A série é seu único fracasso. Foto: DivulgaçãoMais recente estreia de Murphy, "Scream Queens" tem o elenco mais pop da TV atual com nomes como Emma Roberts, Jamie Lee Curtis, Nick Jonas e Ariana Grande. Foto: DivulgaçãoCuba Gooding Jr. vive O.J Simpson em "American Crime Story", que estreia em fevereiro de 2016. Foto: Divulgação


Pegar a polêmica pela jugular e contorcê-la é algo que faz Murphy levantar da cama todas as manhãs. A primeira série que criou foi o breve hit “Popular” que esteve na TV por duas temporadas na virada do milênio. A ideia de abordar os diversos tipos e tribos no ambiente escolar seria revisitada em “Glee”, série ousada que lançou em 2009 em plena febre dos realities shows musicais.

Reprodução
"Glee" ficou no ar entre 2009 e 2015. Lançou ao sucesso Lea Michele e Chris Colfer

Por ser um musical, pouca gente apostava que “Glee” conseguiria avançar além da primeira temporada. Mas com elenco contagiante e uma seleção musical esperta, “Glee” foi conquistando prêmios, fãs famosos e até mesmo espaço na grade diurna da Globo, um fato raro para um seriado americano.

Com o tempo, porém, Murphy exagerou na correção política e afastou “Glee” do frescor e inventividade de outrora.

Algo semelhante aconteceu com “Nip/Tuck”, série que Murphy produziu entre 2003 e 2010 sobre o universo da cirurgia plástica em Miami, na Flórida. O que começou como uma crítica cheia de cinismo e inteligência a um mundo de aparências e frivolidade, acabou se transformando em uma caricatura pouco inspirada. Mesmo assim, foi “Nip/Tuck” que valeu a Murphy seus primeiros prêmios.

As apostas ousadas e bem-sucedidas na TV o levaram ao cinema, trabalhou com Julia Roberts em “Comer Rezar Amar” e fez o aclamado “The Normal Heart” para a HBO, em que reencontrou Julia.

Murphy, porém, prefere reinar na TV a ser plebeu no cinema. Com “Scream Queens”, “American Horror Story: Hotel” e “American Crime Story”, Muphy está jogando para ampliar seu reinado.  

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas