"Em Três Atos" sublinha finitude da vida com experiência estética poderosa

Por Reinaldo Glioche , iG São Paulo |

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Filme de Lúcia Murat será exibido nesta quinta-feira (8) no festival do Rio. Ensaio-poema, produção avança tendência de borrar fronteiras entre ficção e documentário

Uma das principais atrações nacionais do Festival do Rio 2015, e com exibição programada para as 16h desta quinta-feira no Ponto Cine, “Em Três Atos” é o novo filme da premiada Lúcia Murat (“Quase Dois Irmãos” e “A Memória Que Me Contam”).

Apesar de curto, são pouco mais de 70 minutos de duração, o filme propõe uma experiência poderosa ao oferecer um ensaio-poema que estreita os limites entre ficção e documentário, como João Jardim fizera em “Amor?” (2011) e Eduardo Coutinho embaralhara de vez em “Jogo de Cena” (2007).

Andréa Beltrão volta ao drama no filme
Divulgação
Andréa Beltrão volta ao drama no filme "Em três atos"

Andrea Beltrão, um dos rostos famosos do excepcional filme de Coutinho, é um dos pilares de “Em Três Atos”. Os outros são Nathalia Timberg e a dança. Murat se baseia em textos da filósofa e feminista francesa Simone de Beauvoir (1908-1986), mais precisamente em seus livros “A Velhice” (1970) e “Uma Morte Muito Suave” (1964), e no espetáculo “Qualquer Coisa A Gente Muda” para falar sobre finitude e continuidade. Sobre os antagonismos da existência.

Murat estrutura seu filme valorizando a teatralidade da encenação. É um cinema conectado com as demais artes: a dança – e a coreografia de João Saldanha valoriza essa disposição -, a música, a literatura e as artes plásticas.

São, como o título entrega, três atos que compõem o pensamento defendido pela realização. O corpo, a morte e a despedida.

A liberdade do registro impera na concepção visual arregimentada por Murat que se vale dos préstimos das dançarinas Angel Viana, com 85 anos, e Maria Alice, sua ex-aluna que ainda adentra a maturidade, para expor visualmente os limites do corpo por meio da dança. Trata-se de um recurso narrativo riquíssimo e que atesta mais do que a veia experimentalista da cineasta, seu tino questionador, irresoluto e problematizante.

“Em Três Atos” é um tipo de cinema ímpar não só na produção brasileira, mas também no âmbito internacional. Embora haja cada vez mais filmes que borrem as fronteiras entre ficção e documentários, poucos se mostram capazes de estimular uma reflexão tão profunda a partir da simbiose de artes aparentemente tão incomunicáveis.

Murat sabe que o cinema não é a sétima arte por mero acaso e com “Em Três Atos” demonstra não ser mero acaso o fato de ser uma das mais representativas e respeitadas cineastas do contemporâneo e progressista cinema nacional.

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