"Condado Macabro" é ótima versão brasileira de "O Massacre da Serra Elétrica"

Por Reinaldo Glioche , iG São Paulo |

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Filme estreia nesta quinta-feira (12) no Rio de Janeiro (RJ), Aracaju (SE), Sobral (CE), Salvador (BA) e Londrina (PR). Estreia em São Paulo está programada para o dia 19 de novembro

O terror não é muito prestigiado pelo cinema brasileiro, mas alimenta a perseverança de gente apaixonada pelo gênero e disposta a correr riscos em um mercado de distribuição cruel com produções sem uma forte plataforma de marketing. “Condado Macabro” (2015), de Marcos DeBrito e André de Campos, que estreia nesta quinta-feira (12), antes de ser um filme de terror, é uma homenagem gore aos slasher movies que dominaram as décadas de 70 e 80 nos cinemas.

Cena do terror brasileiro
Divulgação
Cena do terror brasileiro "Condado Macabro"

Rodado em esquema de guerrilha, o filme não esconde suas limitações técnicas. Pelo contrário, faz graça com elas. DeBrito, que já se experimentou pela literatura e ostenta uma extensa obra de curta-metragens, demonstra um apreço imenso pela bagagem cinematográfica de sua geração. O roteiro da produção também é de sua autoria. “Condado Macabro” faz muitas referências ao cinema de terror, umas mais óbvias que as outras, e se abriga sob a luz de “O Massacre da Serra Elétrica” (1974).

Do cult de Tobe Hooper empresta desde a estrutura dramática à paleta de cores da fotografia. Se há uma crítica a se fazer a “Condado Macabro”, e ela se sustenta totalmente em um viés subjetivo, é a oportunidade deixada de fazer um terror genuinamente brasileiro. O filme de DeBrito e Campos até insere elementos que caracterizam sua brasilidade, mas é todo ele essencialmente americano. Algo reforçado pela falta de inventividade de Hollywood em modernizar o gênero. Mas esse é um pormenor. “Condado Macabro” é um exercício de estilo invejável dentro da seara do cinema brasileiro. Mais impactante ainda pelos escassos recursos à disposição da realização.

Em
Divulgação
Em "Condado Macabro", o terror é gradativo e sem censura

O filme acompanha um grupo de jovens que decide ir ao interior passar o feriadão. Eles alugam uma casa na região sem qualquer referência. Chegando lá, em meio aos hormônios em ebulição e o desejo de sexo, eles precisam lidar com eventos estranhos que começam a acontecer na casa.

Com a preocupação de manter o humor em alta, e sem se preocupar com o nível de violência e esguichos de sangue, DeBrito e Campos acertam no tom e no ritmo ao apresentar um filme que mesmo sem primar pela originalidade – em essência não há nada original – se prova um dos projetos mais originais do cinema brasileiro em 2015.

À vontade com sua obra, Campos e DeBrito brincam até mesmo com a percepção de que nos filmes de terror não há vestígios de pudor na destilação de violência e todo um recato em relação à nudez. Quando sobem os créditos, DeBrito e Campos desferem o último golpe para cativar o público.

Como uma boa lenda urbana, “Condado Macabro” se beneficia do terror das expectativas ao convidar o espectador para compartilhar – e se divertir – com a sordidez humana.  


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