Rocky e Stallone são tratados com carinho no tenro e impactante "Creed"

Por Reinaldo Glioche , iG São Paulo |

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Sylvester Stallone recebeu o Globo de Ouro no último domingo (10) por reviver Rocky Balboa em um filme à altura do legado do personagem. Espere por emoção, suor e superação

Que Rocky Balboa é um dos maiores personagens do cinema todos nós sabemos. Sylvester Stallone já havia dado ao personagem um desfecho tão cativante quanto poderoso em “Rocky Balboa” (2006), sexto filme da série que recuperava todo o status quo da obra original que elevou o italiano – o personagem e o ator – em Hollywood.

Um emotivo e emocionante Stallone tem o canto do cisne de sua carreira com o personagem que tornou tudo possível
Divulgação
Um emotivo e emocionante Stallone tem o canto do cisne de sua carreira com o personagem que tornou tudo possível

Sob muito aspectos, levar Rocky Balboa novamente para o cinema era um projeto arriscado. Mas o diretor Ryan Coogler, que causou sensação com o independente “Fruitvale Station:  A Última Parada” (2013) tinha uma ideia. Ideia esta que convenceu Stallone a encarnar Rocky Balboa uma vez mais.

O sétimo filme de Rocky não é bem um filme sobre o personagem, mas é inteiramente um filme sobre ele, sobre o que essa figura imortal do cinema representa para tantos fãs, para Stallone e para o próprio cinema. Este é o grande mérito de “Creed: Nascido Para Lutar” (2014). Trabalhar signos e símbolos tão bem introduzidos pela série ao longo dos anos sob uma perspectiva totalmente nova – e ainda assim reverente e reconhecível.

Como Rocky Balboa, Sylvester Stallone pode fazer história no Oscar

Adonis (o cada vez melhor Michael B. Jordan) é o filho de Apollo Creed (Carl Weathers), maior rival da carreira de Rocky Balboa e personagem importante dos primeiros filmes. Adonis sente em seu íntimo que precisa lutar. Seu pai morreu antes dele nascer e sua mãe pouco depois disso. Depois de passar por muitos reformatórios, o menino foi acolhido pela mulher de Apollo que o criou como se fosse seu.

Adulto, Adonis resolve perseguir seu desejo de se tornar um pugilista e enxerga em Rocky Balboa o tutor ideal. Rocky, naturalmente, resiste à ideia a principio, mas acaba cedendo ao misto de simplicidade e ambição que move o jovem Creed.

Cena do filme "Creed: Nascido para Lutar", que estreia nesta quinta-feira (14). Foto: DivulgaçãoCena do filme Creed: Nascido para Lutar. Foto: DivulgaçãoCena do filme "Creed: Nascido para Lutar". Foto: Divulgação"Creed" é um filme mais emocionante do que parece e está à altura do legado do original. Foto: DivulgaçãoCena do filme "Creed: Nascido para Lutar". Foto: Divulgação

O mais interessante no filme é a maneira como bifurca a questão da paternidade. Adonis busca no maior rival de seu pai, que eventualmente tornou-se amigo, uma figura paterna que lhe foi privada em grande parte pelo boxe. Enquanto que Rocky tem em Adonis a oportunidade de “curtir” uma relação entre pai e filho que seu próprio filho negara desconfortável com a sombra do imponente Rocky Balboa.

No boxe, os dois tentam se reconectar a um passado de glórias para dar viço a um presente descolorido.

Coogler é hábil em relacionar o presente de Adonis ao passado de Rocky. O que faz com que o garanhão italiano aceite treinar o jovem Creed é menos o fato dele ser um jovem atencioso e filho de um grande oponente alvo do respeito e admiração de Rocky e mais o fato de Balboa se reconhecer no jovem Adonis.

Essa identificação vai, aos poucos, se materializando para a audiência e aferindo outro sentido à referida relação de pai e filho que mobiliza os personagens.

Sylvester Stallone foi escolhido o melhor ator coadjuvante por
Getty Images
Sylvester Stallone foi escolhido o melhor ator coadjuvante por "Creed: Nascido para Lutar" no Globo de Ouro

As cenas de luta são filmadas com imaginação e urgência e nada ficam a dever em emoção aos melhores momentos da franquia.

Mas talvez o maior trunfo de “Creed: Nascido Para Lutar” seja Sylvester Stallone. Que o ator domina plenamente o personagem, não resta dúvidas. Aqui, porém, ele tem a chance de honrar o legado de Rocky com uma abordagem totalmente diferente. Não menos rica e tão impressionante quanto as incursões anteriores. É, também, um canto do cisne para um ator que nunca foi conhecido por seu talento dramático, mas que quando assume este que ajudou a transformar em um personagem maior que a vida, se transfigura por completo. “Creed: Nascido Para Lutar” não se pretende exatamente uma homenagem, mas o é justamente por essa despretensão tão bem urdida.

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