"O Menino e o Mundo" engrossa lista de produções e artistas brasileiros no Oscar

Por Reinaldo Glioche , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

De Ary Barroso a Caetano Veloso, passando por "Cidade de Deus" e Hector Babenco, Brasil já teve seus bons momentos na maior premiação do cinema mundial. Relembre todos eles

“O Menino e o Mundo”, animação brasileira dirigida por Alê Abreu, foi a boa notícia para o Brasil na lista dos indicados ao Oscar 2016, anunciada na manhã desta quinta-feira (14). O filme, que estreou por aqui em 2014, foi lembrado pela academia e vai medir forças com o extremamente favorito “Divertida Mente”.

O Menino e o Mundo
Divulgação
O Menino e o Mundo

A categoria tem, ainda, as presenças de “Anomalisa”, “Shaun: O Carneiro” e “Quando Marnie estava lá”.

Depois do balde de água fria que foi a exclusão de “Que Horas Ela Volta?” dos concorrentes a melhor filme estrangeiro, foi um final feliz para o cinema nacional. Que, a despeito das dificuldades na categoria, pode se lograr ainda muito mais feliz.

O iG ON investigou os arquivos da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para destacar os brasileiros que já fizeram parte da história do Oscar ao longo dos 88 anos de história da premiação. História que agora agrega “O Menino e o Mundo”.

O primeiro

A estreia do Brasil no Oscar foi com o compositor Ary Barroso. Em 1945, a composição do mestre “Rio de Janeiro” concorreu ao Oscar de melhor canção pelo filme “Brazil”. Ganhou “Swinging on a star”, de James Van Heusen e Johnny Burke, que estava no filme “O bom pastor”.

O favorito derrotado

“O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, vinha referendado pela Palma de Ouro em Cannes e era tido como o favorito ao Oscar de filme estrangeiro. Perdeu para a produção francesa “Sempre aos Domingos”.

Hermano é coisa nossa

“O Beijo da Mulher Aranha” foi uma das grandes sensações da edição de 1986 do Oscar. Coprodução entre Brasil e EUA, o filme dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco concorreu a diversos prêmios como Filme e Direção e rendeu o Oscar de melhor ator para William Hurt.  O elenco contava com vários atores brasileiros como Sonia Braga, José Lewgoy, Milton Gonçalves, Herson Capri e Nuno Leal Maia.

Doces anos 90

Em meados dos anos 90, o Brasil parecia estar na mira do Oscar. Primeiro, em 1996 veio a indicação ao Oscar de filme estrangeiro com “O Quatrilho”, de Fábio Barreto. Era a primeira nomeação desde “O Pagador de Promessas”. A vitória ficou com o holandês “A Excêntrica Família de Antônia”.

No ano seguinte, o Brasil voltou à disputa com “O Que é Isso Companheiro?”, de Bruno Barreto. A indicação ajudou a consolidar a influência da família Barreto no audiovisual brasileiro então em vias de plena recuperação após o governo Collor. Outro holandês, a produção “Caráter”, se impôs ao sonho brasileiro.

Em 1999, foi a vez de Walter Salles e seu “Central do Brasil” capitanearem a torcida brasileira. Fernanda Montenegro também causou sensação ao ser indicada a melhor atriz. “A Vida é Bela” e Gwyneth Paltrow puseram água no chope da torcida brasileira.

Fernanda Montenegro e
Divulgação
Fernanda Montenegro e "Central do Brasil": cinema nacional fez barulho no Oscar nos anos 90

O Oscar boleiro?

Pela primeira vez, o Brasil era indicado ao Oscar de melhor curta-metragem em live-action (com atores de verdade, não animação). O nosso candidato foi “Uma história de futebol” (2001), de Paulo Machline. A produção perdeu a estatueta para “Quiero ser”, coprodução de México e Alemanha.

O que que o baiano tem?

Caetano Veloso subiu ao palco do Oscar para cantar a canção “Burn it Blue” indicada pelo filme “Frida”. Naquele ano, 2003, ele ainda figurava no filme “Fale com Ela”, de Pedro Almodóvar que tinha indicações à direção e roteiro original.

O ano (quase) dourado

Caetano Veloso canta no Oscar
Getty
Caetano Veloso canta no Oscar

Em 2004, “Cidade de Deus” foi a maior surpresa da lista dos indicados ao Oscar com quatro indicações (Direção para Fernando Meirelles, roteiro adaptado, montagem e fotografia). A festa verde-amarela no Oscar ainda tinha “A Aventura perdida de Scrat”, curta-metragem animado de Carlos Saldanha na disputa. Não houve vitórias, mas ficou o gosto doce na boca.

O Rio continua lindo

A animação “Rio”, dirigida por Carlos Saldanha, não foi indicada a melhor animação, mas os brasileiros Sérgio Mendes e Carlinhos Brown concorreram ao Oscar pela canção do filme. Mas perderam para o tema de “Os Muppets”.

 Do lixão para Hollywood

Coprodução entre Brasil e Inglaterra, “Lixo Extraordinário” (2011), o artista plástico brasileiro Vik Muniz e rodado em um lixão no Rio de Janeiro, perdeu para “Trabalho Interno”, sobre a eclosão da crise financeira de 2008 nos EUA.

Leia tudo sobre: Brasil no OscarOscar 2016Imagem

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas