Oscar celebra espetáculo da sobrevivência ao destacar  "O Regresso" e "Mad Max"

Por Reinaldo Glioche , iG São Paulo | - Atualizada às

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Filmes de estúdio, mas com tratamento artístico, protagonizam Oscar 2016 e têm em comum a luta pela sobrevivência

O espetáculo da sobrevivência foi referendado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood com sua lista de indicados ao Oscar 2016. Os três filmes que lideram a corrida tratam, de alguma maneira, da mais instintiva reação humana: a sobrevivência. “O Regresso”, com 12 indicações, “Mad Max: Estrada da Fúria”, com 10, e “Perdido em Marte”, com sete, são, também, espetáculos grandiosos do cinema.

Reprodução
"Mad Max" amealhou dez indicações ao Oscar: Espetáculo da sobrevivência

“O Regresso”, um inesperado hit nas bilheterias, veste-se como favorito escorado no Globo de Ouro conquistado no último domingo e no acachapante número de nomeações asseguradas. Categorias como figurino e ator coadjuvante, em que o filme não era apontado como provável contemplado, reforçam o apreço da academia por Alejandro González Iñárritu. O cineasta mexicano, que vem da vitória com “Birdman” no ano passado, convém lembrar, recebeu indicações ao Oscar por todos os seus filmes.

No filme, Leonardo DiCaprio faz um homem que após ser abandonado à morte por seus companheiros de caçada, parte em busca de vingança.

“Mad Max: Estrada da Fúria”, a opera do caos de George Miller que reconfigura por completo o cinema de ação mainstream do século XXI, é uma perola feminista que agrega a seu ritmo alucinante uma sofisticada crítica à influência religiosa nos ritos sociais e é, ainda, um libelo pela gana de viver.

“Perdido em Marte” mostra como a força de vontade e a imaginação podem estar a serviço de alguém que se encontra em situação amplamente desfavorável para viver, mas o faz com graciosidade, engenho e energia.

São filmes que deram brilho a 2015. Produções de estúdio, dois deles da Fox, mas filmes que não se encaixam nas escolhas usuais de executivos e engravatados. Nesse sentido, até mesmo pelo fato de colocar duas ficções científicas entre os principais indicados do ano, o Oscar dá sequência ao movimento de consagrar filmes adultos e qualificados, não importando a procedência. Passa por aí, também, a opção pelo blockbuster “Mad Max” em detrimento de “Star Wars: O Despertar da Força”.

Surpresas e ausências

Houve surpresas, claro.  A maior delas, talvez, tenha sido a exclusão de “Carol” dos indicados a melhor filme. A produção de Todd Haynes angariou seis indicações, inclusive para suas atrizes, mas ficou de fora da disputa principal. A justificativa, talvez, esteja no fato de que é um filme sutil demais e todo adornado em minimalismo. São características pouco aprazíveis ao gosto da grande maioria dos eleitores da academia.

Quentin Tarantino e Aaron Sorkin, dois medalhões, não receberam indicações pelos filmes “Os Oito Odiados” e “Steve Jobs” respectivamente. Por outro lado, as indicações de Lenny Abrahamson, direção por “O Quarto de Jack”, Tom Hardy, ator coadjuvante por “O Regresso”, e Jonathan Herman e Andrea Berloff, roteiro original por “Straight Outta Compton: A História do N.W.A.” causaram grande frisson pelo aspecto do inesperado.

Matt Damon dá vida a personagem desesperado para se manter vivo em “Perdido em Marte”
INTERNET/ REPRODUÇÃO
Matt Damon dá vida a personagem desesperado para se manter vivo em “Perdido em Marte”

O Netflix reitera sua força nos documentários com as indicações de “What Happened Miss Simone” e “Winter on Fire”.

Como de hábito, as queixas sobre a falta de diversidade entre os indicados proliferaram pouco depois das indicações. Há três mulheres indicadas entre as roteiristas, melhor índice em cinco anos, mas não há nenhum ator negro nomeado e, novamente, apenas homens entre os indicados a melhor direção. São circunstâncias que refletem mais o cinema em seu aspecto macroeconômico do que um suposto preconceito por parte da academia.

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