Com Bryan Cranston, “Trumbo: Lista Negra” lambe feridas antigas de Hollywood

Por Reinaldo Glioche , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Cranston, que já ganhou Emmy e Tony, disputa o Oscar de melhor ator pelo papel de roteirista comunista que foi a principal face de um dos capítulos mais sombrios de Hollywood. Filme estreia nesta quinta-feira (28) no País

Hollywood gosta de falar do passado e gosta mais ainda de falar do seu passado. “Trumbo: Lista Negra” reza esta cartilha maravilhosamente bem. Dirigido por Jay Roach (“Os Candidatos” e “Entrando numa Fria”) e estrelado por Bryan Cranston (o Walter White de "Breaking Bad") , o filme recria a trajetória de Dalton Trumbo (Cranston), um roteirista celebrado da Hollywood do fim dos anos 40 que esteve no centro da caça às bruxas lançada pelo Congresso norte-americano aos comunistas.

Bryan Cranston foi indicado ao Oscar de melhor ator por
Divulgação
Bryan Cranston foi indicado ao Oscar de melhor ator por "Trumbo: Lista Negra", que estreia nesta quinta-feira (28) nos cinemas

O filme pinta um personagem rico e contraditório e conta com o talento de Bryan Cranston para seduzir o espectador a todo momento com um misto de carisma, malandragem e abnegação. O Trumbo do filme, que é baseado no livro “Trumbo: A Vida do Roteirista Ganhador do Oscar que Derrubou a Lista Negra de Hollywood”, de Bruce Cook (lançado nas livrarias no último dia 21), é um sujeito inteligente, arisco, narcisista e que acredita piamente nos ideais comunistas. Ainda que fale como um radical e viva como um rico, como observa o amigo acidental Arlen Hird (interpretado com gosto por Louis C.K).

Ao longo do filme, tomamos contato com mais de 30 anos da vida de Trumbo e daqueles que gravitam o seu universo. Com uma estrutura dramática acadêmica, Roach é hábil em iluminar as contradições imantadas em Trumbo, bem como em dimensionar um dos períodos mais obscuros da história de Hollywood, em particular, e dos EUA, em geral.

O cerceamento de direitos civis e o boicote àqueles que ousavam pensar diferente da maioria estabelecida comprometeram severamente os ideais democráticos de uma nação sob o argumento de defesa destes mesmos ideais.

“Trumbo: Lista Negra”, nesse contexto, lambe a ferida de uma comunidade artística que sabe o passado que ostenta. E que, em meio a emergência de toda uma discussão sobre segregação racial no Oscar 2016, se avexa dele.

O ator Bryan Cranston foi indicado ao Oscar de melhor ator por viver o roteirista Dalton Trumbo em "Trumbo: Lista Negra". Foto: DivulgaçãoCena do filme "Trumbo: Lista Negra". Foto: DivulgaçãoCena do filme "Trumbo: Lista Negra". Foto: DivulgaçãoCena do filme "Trumbo: Lista Negra". Foto: DivulgaçãoCena do filme "Trumbo: Lista Negra". Foto: DivulgaçãoCena do filme "Trumbo: Lista Negra". Foto: Divulgação

Bryan Cranston não poderia escolher um papel melhor para se firmar de vez como “ator de cinema”. Trumbo é estratégico por apresentar essa aura essencialmente cinematográfica e pontual pelo potencial dramático alinhavado. A indicação ao Oscar só atesta isso. No dia 28 de fevereiro, o ator mede forças com Eddie Redmayne ("A Garota Dinamarquesa"), Leonardo DiCaprio ("O Regresso"), Michael Fassbender ("Steve Jobs") e Matt Damon ("Perdido em Marte").

Bem dirigido, com ótima reconstituição de época e com um elenco afinado, “Trumbo: Lista Negra” é aquele tipo de filme que não reinventa a roda, mas faz muito bom uso dela.

Leia tudo sobre: Trumbo: Lista NegraImagemOscar 2016Bryan Cranston

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas