Fotógrafa lança livro que celebra a mulher real e pensa o sentido do feminismo

Por Reinaldo Glioche , iG São Paulo |

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Projeto que começou na internet exibe mulheres de diversos tipos, etnias e idades sem photoshop e traz reflexão poderosa sobre o feminismo em momento que o debate ganha força

É inegável que o feminismo foi um dos maiores temas de 2015. Mas para a fotógrafa Maria Ribeiro a questão é mais longeva e, reflexo disso, é o lançamento nesta semana de “Nós, Madalenas – Uma Palavra pelo Feminismo”, livro que recupera um projeto iniciado em 2014, na internet, que discute o feminismo a partir da exposição desromantizada da mulher.

Foto do projeto
Divulgação
Foto do projeto "Nós, Madalenas"

Ao iG, Ribeiro conta que quando atuava com publicidade se inquietou com a maneira como a imagem da mulher estava sendo trabalhada. “Eu comecei a questionar os padrões que estavam sendo usados para fazer as imagens. Perceber como as imagens eram colocadas na mídia e quais eram as consequências disso. Existe toda uma lapidação para fazer com que aquela foto seja um objetivo a ser atingido. Mas ele nunca será atingido”, contextualiza sobre as motivações que a levaram a criar o Tumblr “Nós, Madalenas”, em primeiro lugar.

“Eu queria mostrar a beleza real das mulheres”, revela a fotógrafa que no princípio contou com a ajuda de conhecidas para tirar o projeto do papel e colocar na web. “Comecei a fotografar e a fazer o tumblr como um projeto com amigas, pessoas próximas. Mas aí o negócio começou a ficar grande e a fazer barulho na internet. As pessoas me procuravam querendo participar e eu nem sabia para onde ir com o projeto”.

As primeiras fotos foram feitas no apartamento do pai. Depois, em um espaço coletivo na Vila Madalena. O nome do projeto, porém, não veio daí. “Vem da figura (bíblica) da Madalena. Uma figura histórica. Uma mulher pra frente. Uma mulher livre e que era julgada por isso. Pelas atitudes dela. Ela era muita estigmatizada. São estigmas que ainda estão por aí hoje”.

Foto do projeto
Divulgação
Foto do projeto "Nós, Madalenas"

100 imagens e algumas palavras

As fotos de Ribeiro em “Nós, Madalenas” se caracterizam por não serem tratadas digitalmente e preservarem a beleza do imperfeito. A ousadia estética, porém, não se restringe à rejeição ao Photoshop. Ribeiro pede para que as participantes escrevam em seu corpo uma palavra que mimetize, para elas, o que é feminismo.

Para o livro, cuja ideia surgiu desse fluxo de gente que procurou Ribeiro e forçou a expansão do projeto, a fotógrafa pensou em algo a mais. “Eu fotografei mulheres jovens, velhas, de biotipos e orientações sexuais diferentes. Uma gama imensa. Eu acabei tendo contato com a história dessas mulheres. Da luta delas. Do processo que levou cada uma a escolher aquela palavra. Apesar das fotos por si mesmas serem fortes e já transmitirem uma mensagem, a ideia de fazer o livro era para que essas mulheres pudessem ter voz e inspirar outras mulheres”, explica sobre a opção da obra trazer as imagens e os relatos das modelos.

Divulgação
"Exibir as imperfeições exige coragem", observa Ribeiro que se disse surpreendia com as palavras sugeridas pelas mulheres. Elas são explicadas no livro

A obra, que ganha tiragem inicial de 500 exemplares pela Fonte Editorial e também pode ser adquirida pela internet, conta com 100 registros feitos por Ribeiro. “É muita coragem a pessoa se deixar fotografar. Exibir as imperfeições. Isso, sabendo que as fotos estariam na internet, que é um ambiente hostil”, reconhece a fotógrafa que vê no fato do projeto virar livro uma vitória.

Foto que faz parte do projeto "Nós, Madalenas". Foto: DivulgaçãoFoto integrante do projeto "Nós, Madalenas". Foto: DivulgaçãoFoto que faz parte do projeto "Nós, Madalenas". Foto: DivulgaçãoFoto do projeto "Nós, Madalenas". Foto: DivulgaçãoFoto que faz parte do projeto "Nós, Madalenas". Foto: DivulgaçãoFoto que faz parte do projeto "Nós, Madalenas". Foto: DivulgaçãoFoto que faz parte do projeto "Nós, Madalenas". Foto: DivulgaçãoFoto que faz parte do projeto "Nós, Madalenas". Foto: Divulgação

O momento não poderia ser mais oportuno.  “O feminismo teve um papel de destaque neste ano. Na ONU, a campanha #heforshe, o Enem... As meninas de 15, 16,17 anos são fortes, independentes e entendem que elas merecem respeito, atenção. A coisa tá mudando. O tema está sendo amplamente debatido”, comemora Ribeiro que vê neste saldo positivo uma vitória pessoal de sua dedicação ao fortalecimento da autoestima feminina.

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