Thiago Pethit: "rock virou uma coisa coxinha"

Por Caio Menezes , iG São Paulo | - Atualizada às

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O cantor lançou seu mais recente álbum no fim de 2014 e mergulhou de cabeça no candy rock: "é um rock mais libidinoso, do roqueiro que rebola no palco"

Depois de ganhar fama como um dos nomes da nova MPB com "Berlim, Texas", de 2010, o paulistano Thiago Pethit resolveu experimentar outro gênero em "Rock'n'Roll Sugar Darling", seu mais recente álbum. "Quem dormiu durante todos esses anos, acordou e não entendeu nada", disse o cantor em entrevista ao iG. O primeiro show da nova turnê aconteceu na última quinta-feira (15), no SESC Pinheiros.

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Reprodução/Facebook
"O rock virou uma coisa coxinha", afirmou Thiago Pethit

Em seu terceiro disco, o cantor faz o que chama de "candy rock", um rock'n'roll que remonta ao estilo -- e a à postura no palco -- de intérpretes como Jim Morrison e Cazuza. "É um rock que ficou mais no passado do que no presente, do rock mais libidinoso, do roqueiro que rebola no palco", explicou. "O rock virou uma coisa coxinha, hoje tem o tipo de roqueiro que pede a volta da ditadura. Não existe nada menos rock do que isso".

O cantor lançou
Reprodução/Facebook
O cantor lançou "Rock'n'Roll Sugar Darling" em novembro

Apesar de ter mudado bastante sua sonoridade nos últimos cinco anos, Pethit garante que o caminho foi bem natural. "Do primeiro [disco] pro segundo já existia um flerte com o rock, o som estava ficando mais agressivo. Isso foi meio natural e o terceiro chegou nesse lugar", explicou.

Na entrevista a seguir, Thiago Pethit fala sobre "Rock'n'Roll Sugar Darling", seu candy rock e a aceitação dos roqueiros das antigas: "se eles não gostarem, sei que fiz o investimento certo".

iG: Como foi a concepção de "Rock'n'Roll Sugar Darling"?
Thiago Pethit: A ideia surgiu dentro da minha trajetória naturalmente. Do primeiro [disco] pro segundo já existia um flerte com o rock, o som estava ficando mais agressivo. Isso foi meio natural e o terceiro chegou nesse lugar.

iG: Por que rolou essa mudança no seu som?
Thiago Pethit: Quando eu lancei o primeiro disco ["Berlim, Texas", de 2010], tinha as mesmas vontades de dizer o que digo hoje, mas tinha menos dinheiro e precisava investir numa linguagem mais viável do Do It Yourself. Transformei a precariedade inicial numa linguagem e fiz um disco onde a canção valia mais que a música. Por um outro lado, eu não tinha entendido que eu me tornaria um produto no mercado e que isso significaria tomar certas escolhas que te fazem bem ou mal no mercado. Eu tinha uma visão ingênua e achei que seria bem compreendido, mas me senti mal entendido.

iG: Como isso afetou os seus dois discos seguintes?
Thiago Pethit: Os dois discos na sequência são afirmações de quem eu sou, cada vez mais explícitas, para que no futuro eu faça um disco em que eu não preciso grifar nada e tudo esteja claro.

iG: Você acha que quem te conhece pelo primeiro trabalho fica chocado com "Rock'n'Roll Sugar Darling"?
Thiago Pethit: É um choque pra quem não me entendeu. Quem dormiu durante todos esses anos, acordou e não entendeu nada.

Thiago Pethit define seu som como candy rock, um rock libidinoso. Foto: Reprodução/FacebookThiago Pethit define seu som como candy rock, um rock libidinoso. Foto: Reprodução/FacebookThiago Pethit define seu som como candy rock, um rock libidinoso. Foto: Reprodução/FacebookThiago Pethit define seu som como candy rock, um rock libidinoso. Foto: Reprodução/FacebookThiago Pethit define seu som como candy rock, um rock libidinoso. Foto: Reprodução/FacebookThiago Pethit define seu som como candy rock, um rock libidinoso. Foto: Reprodução/Facebook

iG: O que você ouviu e te influenciou na época da composição do álbum?
Thiago Pethit: Eu ouvi músicas clássicas do rock, coisas de Elvis Presley, The Doors e Rolling Stones. Tinham várias coisas atuais que estavam me instigando, tipo Bonde do Rolê, até o hiphop americano do Kanye West. Coisas que não têm nada a ver com o rock, mas que influenciaram no processo de manufatura do disco. Ele soa vintage, mas a construção é contemporânea, com samples e bateria eletrônica.

iG: E você acha que deu certo?
Thiago Pethit: Quem tem que me dizer isso é quem escuta. Eu gosto do que aconteceu, era o que eu queria fazer. Não queria que soasse como um disco que olha para os anos 1950 e parece um disco dos anos 1950, eu queria que tivesse uma construção que não rolaria naquela época.

iG: Você define seu novo estilo como candy rock. O que é isso?
Thiago Pethit: É um rock que ficou mais no passado do que no presente, do rock mais libidinoso, do roqueiro que rebola no palco. Não é o rock dos últimos 15 anos, pelo menos no mainstream. O rock virou uma coisa coxinha, hoje tem o tipo de roqueiro que pede a volta da ditadura. Não existe nada menos rock do que isso. Existe um tipo de roqueiro que é esse, é uma coisa da cultura do cervejeiro, é mais perto da cultura do playboy do que do roqueiro de verdade. Esse roqueiro não vai gostar, vai dizer 'que disco é esse? Quem é esse viado fazendo rock?'"

iG: É esse tipo de gente que você não quer agradar?
Thiago Pethit: Eu gostaria de seduzí-los. Mas se eles não gostarem, sei que fiz o investimento certo.

iG: Como a produção do Adriano Cintra influenciou no resultado do álbum?
Thiago Pethit: Quando comecei a produzir o disco, chamei o Kassin e o Adriano Cintra. Queria que o disco tivesse dois lados opostos: um com muitos clichês, muito retrô, coisas reconhecíveis dentro do rock'n'roll; e outro que fosse super atual e original. Eles representam essas duas vertentes, o Kassin representou a vertente retrô e o Adriano a atual. Um olha para frente e outro para trás.

iG: Como foi o primeiro show da turnê do disco?
Thiago Pethit: O show foi foda. O teatro estava abarrotado. Eu estava até com medo porque o teatro era grande e o show era numa quinta-feira, mas o público foi quente, saí de lá satisfeito. As músicas novas funcionam mais ao vivo do que no disco. É pra rebolar, é pra passar essa ousadia.

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