Bárbara Sweet: “Está na hora discutir o papel da mulher no hip hop”

Por Natália Eiras iG São Paulo |

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Criadora de coletivo Minas no Mic, a MC de 28 anos viu o vídeo de uma de suas batalhas de rap se transformar em viral feminista e prepara EP ainda para este ano. “Fui batalhar porque eu nunca via mulher batalhando”

Bárbara Sweet, 28, só tinha compartilhado o vídeo de uma de suas batalhas de rap quando viu sua voz conquistar a internet brasileira ao responder, rimando, as críticas de um rapper ao feminismo. Publicado em sua página do Facebook, a gravação de sua resposta na Batalha de Santa Cruz, em setembro, viralizou, ganhou elogio de Emicida e acabou sendo compartilhada por mais de 13 mil pessoas. “Ele [o adversário] achou que estava atacando o meu ponto fraco, só que não era exatamente isso”, responde, rindo.

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 “Fui batalhar porque eu nunca via mulher batalhando”
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“Fui batalhar porque eu nunca via mulher batalhando”

Desde então, a artista de Belo Horizonte se tornou uma espécie de porta-voz das garotas no hip hop e tenta incentivar mais mulheres a assumir o mic. “Fui batalhar porque nunca via mulher batalhando”, conta. “Já passou da hora de discutir o papel da mulher no hip hop”.

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"Percebi que não poderia entrar neste mundo levando para o lado pessoal”

Desafiando os padrões

Nascida Bárbara Bretas Coelho, a rimadora começou a se interessar pelo rap ainda adolescente. Suas primeiras rimas surgiram quando ela tinha 16, 17 anos, ao mesmo tempo em despertou o interesse pela modalidade freestyle. Ela curtia subir no palco e mandar a letra, mas o que ela queria mesmo fazer era batalhar. “Mas morria de medo”.

De acordo com a artista, o que a impedia de participar de uma rinha era o mesmo temor que impede outras garotas de apostar no estilo. “Rola muita ofensa. Como vivemos em uma sociedade que impõe padrões, é difícil ouvir que você é gorda na frente de um monte de gente, no microfone”, explica.

E foi este tipo de ataque que fez com que a primeira vez de Bárbara em uma rinha fosse tão traumática. “Levei um esculacho sinistro. Fui humilhada”, conta. Quando estreou em um ringue de rimas, em 2013, a artista tinha acabado de parar de amamentar sua filha Cecilia, hoje com 7 anos. “E o meu adversário atacou exatamente os meus peitos. Mexeu na minha insegurança pessoal”, afirma.

Foi quando ela perdeu a linha: “ele falou aquilo, eu fiquei nervosa e não quis mais rimar, quis dar um soco na boca dele. Então percebi que não poderia entrar neste mundo levando para o lado pessoal”.

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"Sempre vão falar que você está ganhando porque é mulher"

O jeito de sobreviver psicologicamente a uma batalha é, segundo Bárbara, ter em mente que o adversário não está atacando você, mas a uma persona. “A postura da batalha é outra. Não pode internizar”, diz.

Minas no Mic

A rapper pontua que outro tipo de ofensa comum é dizer que a rimadora só está na frente por causa de seu gênero sexual. “Além de ter um contexto machista, né? Sempre vão falar que você está ganhando porque é mulher. Você pode fazer chover canivete, Deus pode vir no palco e dizer: ‘essa mina é foda’ e o cara vai continuar dizendo que você está vencendo por ser mulher”.

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"Quando uma mulher vê outra fazendo este tipo de coisa, elas acham empoderador"

Este é o tipo de coisa que ela fala para as “minas novinhas” que vêm procurá-la desde que o vídeo da batalha de Santa Cruz viralizou. Criadora do coletivo Minas no Mic, que incentiva jovens rappers a participar de rinhas de rima, Sweet diz que a gravação pode ter empoderado outras interessadas. “É tudo uma questão de representividade. É o que me incomodava naquele espaço. Ia toda sexta-feira ver batalha e nunca tinha visto uma menina”.

E ela comemora: “[A repercussão do vídeo] saiu do rap e foi para o lado militante. As mulheres tem que botar para fora, colocar o que pensa. Quando uma mulher vê outra fazendo este tipo de coisa, elas acham empoderador”.

Ainda assim, Bárbara diz que é preciso saber escolher suas brigas -- de rimas e contra o machismo. “Tem gente com quem nem dá para discutir. Agora criticar o feminismo é um jeito de polemizar, ganhar ibope. Então evito”, explica. Mas isto não quer dizer que ela vá ficar calada: a rapper está preparando um disco ainda para este ano com composições próprias. “Quero fazer o meu som para mostrar o que tenho a dizer, muito mais do que responder em uma batalha”.

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