Clichê do Brasil exótico tem que ser esquecido, diz DJ Branko

Por Caio Menezes , iG São Paulo |

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Com toques de funk e kuduro, português lança álbum de estreia e defende a revelância cultural do Brasil: "As metrópoles brasileiras geram uma quantidade incrível de conteúdo"

O produtor Branko lançou na sexta-feira (4) seu primeiro disco, "Atlas". Com um projeto grande e ambicioso, o português produziu o álbum em cinco cidades, entre elas São Paulo, e contou com a ajuda de nomes efervescentes da música de mais de dez países.

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O produtor português Branko gravou sessões de
Divulgação/Red Bull
O produtor português Branko gravou sessões de "Atlas", seu disco de estreia, em São Paulo

"Estava em busca de cidades onde a multiculturalidade tivesse dado origem a direções musicais novas, e em cada cidade colaborei com diversos artistas que foram como coordenadas geográficas em forma de música", explicou Branko em entrevista ao iG.

Para isso, ele fez sessões em Amsterdã, São Paulo, Cidade do Cabo, Nova York e Lisboa, com tudo registrado em uma websérie lançada pela Red Bull na última semana.

No Brasil, o produtor escolheu um dos gêneros que mais tem crescido em São Paulo: o funk. Na semana que passou na capital paulista, ele gravou com MC Bin Laden e Marginal Men. "Acho que existe algo de realmente explosivo nesta nova visão do Baile Funk feito em 2015", afirmou. "Percebi que o Marginal Men faz a ponte entre tudo isto e os clubes de São Paulo, e para mim esta ponte é tão importante como a música porque no fundo é o elemento que pode legitimar um movimento e gerar expansão numa cidade".

A música que Branko gravou com os brasileiros não entrou em "Atlas", mas foi lançada como single pelo produtor. Apesar disso, o Brasil e sua cultura fascinam o português. "Sou da opinião que o mundo tem que começar a ultrapassar a ideia de um clichê exótico sobre o Brasil, que se situa num eixo praia - Carnaval", disse. "As mega metrópoles brasileiras geram uma quantidade incrível de conteúdo cultural que muitas vezes é ignorado por não encaixar dentro do exotismo tropical que o mundo está esperando".

O amor do europeu por São Paulo é tão grande que ele escolheu a cidade para sediar o show de lançamento do seu primeiro álbum, em um evento que foi transmitido ao vivo pela internet e teve participações de MC Bin Laden, Marginal Men e MC 2K.

"A selva urbana da cidade é por vezes altamente impenetrável e isso me fascina", disse sobre a capital paulista. "A meu ver é uma cidade que deveria gerar mais movimentos musicais com presença em todo o mundo, como Londres ou Nova York."

Para o português, as metrópoles brasileiras deveriam ter tanta relevância quanto Londres e NY
Divulgação/Red Bull
Para o português, as metrópoles brasileiras deveriam ter tanta relevância quanto Londres e NY

Além de viajar mundo para observar o que está acontecendo de mais quente na música, Branko é um expoente da mudança que a música portuguesa vem sofrendo nos últimos anos. Filho do Buraka Som Sistema, o DJ é um dos principais nomes da cena de Lisboa, uma cidade que hoje é um ponto de encontro entre o funk do Brasil, o kuduro da África e a música eletrônica de Londres.

"Essa geração de artistas que inclui o Dotorado Pro, Marfox, Nigga Fox, Batida e Throes & the Shine estabelece e confirma um lado da personalidade musical de Lisboa e o seu posicionamento único no mundo", afirmou. "Cada um faz a sua maneira e isso é ainda mais válido porque no fundo ainda torna toda a cena mais global".


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