Herdeiros de Gilberto Gil unem política e amor no primeiro EP da banda Sinara

Por Reinaldo Glioche , iG São Paulo | - Atualizada às

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Com "Sol", banda quer raiar Brasil afora com muito reggae e engajamento, mas sem deixar de falar de amor

A amizade de dois garotos gera uma banda que, em um dado momento, resolve sair da garagem e tentar o sucesso. Você já viu esse filme antes, certo? O Sinara, que está em plena divulgação do lançamento do EP “Sol”, que marca esse pontapé inicial da banda na estrada do show business, também.

A banda após uma apresentação em Salavdor
Peter Wrede
A banda após uma apresentação em Salavdor

“Eu senti que a banda estava pronta quando a gente colocou alguns trabalhos online”, diz Francisco Gil, 19 anos, filho de Preta Gil e do ator Otávio Müller. “Quando a formação ficou completa com a chegada de Magno” (baixo), completou João Gil, outro neto de Gilberto Gil, primo de Francisco, que integra a banda e é responsável pela guitarra. O clã Gil ainda contribui, ainda, com a bateria, a cargo de José, caçula do ex-ministro da Cultura.

O Magno em questão é de sobrenome Brito e veio de Pernambuco ajudar a dar viço ao sonho de Luthuli Ayodele, letrista e vocalista da banda, de ver o sol nascer musicado. Foi de sua amizade com Francisco que a banda germinou.

“A questão da concepção musical se deu muito a partir de a gente trazer as referências pessoais de cada um. Encontrar as intersecções disso tudo”, explica no bate-papo entre a reportagem do iG e a banda sobre o som que o Sinara produz.  Quem ouve “Sol” pela primeira vez pode se maravilhar com sua vibe regueira, bem como se deixar cativar pelas letras engajadas que flertam com a militância do Rappa, mas sem a mesma sisudez. O Sinara também quer falar de amor.

“A militância se relaciona muito com o próprio reggae. O nosso som tem muito isso. Ele não só questiona, mas propõe”, contextualiza Francisco. “Respiramos amor. Volta e meia você vai ver composições abordando racismo e desigualdade social e na próxima faixa vai ser o amor. Ninguém aqui quer se só politizado”, completa Magno.

Um registro da banda em ensaio
Reprodução/Facebook
Um registro da banda em ensaio

“Antes que Eu Morra”, faixa que fecha esse primeiro EP, mostra que a banda não se engaja só nas questões sociais, mas nas coisas do coração também. “O mais interessante é a forma como fala de amor. Falando de amor, a gente tá falando da vida. Pode ter certeza que sempre vai estar presente nos nossos trabalhos”, intui Francisco.

“Tem muita falta de amor no mundo”, indigna-se Magno. “Na banda somos ativos. A gente não curte ver as mazelas da sociedade em geral e ficar calados. A gente questiona”. “E a música tem disso”, observa João.

“Favela”, segunda faixa do EP, tem muito disso. “Direta ou indiretamente/Quem chega não consegue esquecer/A crua realidade vai sensibilizar você/Favela sou eu/ Favela é você” aponta uma poderosa passagem da música.

Com influências que vão de Bob Marley a Gilberto Gil, a banda vai “do reggae ao ijexá muito fácil. A gente faz o que a música pede. Não tem egotrip”, sacramenta Magno. E eles estão só começando!

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