"É desanimador pensar que os empresários venceram", diz ator de "Vinyl"

Por iG São Paulo |

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Ray Romano protagoniza a nova série de Mick Jagger e Martin Scorsese, que estreia na HBO neste domingo (14)

Depois da parceria de sucesso entre Martin Scorsese e Mick Jagger em "The Rolling Stones Shine a Light", documentário de 2008, a dupla volta a unir forças em "Vinyl", série que chega à HBO neste domingo (14).

Ray Romano está em
Divulgação/HBO
Ray Romano está em "Vinyl", nova série da HBO, que estreia nesta segunda-feira (15)

A trama é ambientada na cena musical dos anos 1970, época em que o punk rock surgia como a grande novidade. Em meio a isso, empresários tentavam lucrar enquanto bandas só queriam tocar sua música e sobreviver.

"É desanimador pensar que aqueles caras [os empresários] venceram", disse o ator Ray Romano em entrevista exclusiva. Ele é um dos protagonistas da nova produção da HBO. "Também foi surpreendente ver como eles eram injustos com os músicos. Teve gente que nunca viu um centavo por isso", continuou.

Conhecido pela sitcom "Everybody Loves Raymond", o ator teve a chance única de ser dirigido por Martin Scorsese. "Foi realmente genial", resumiu o americano, que divide cena com astros como Bobby Cannavale ("Boardwal Empire") e Olivia Wilde ("House").

Na entrevista a seguir, Ray Romano fala sobre as gravações de "Vynil" e sua relação com a música e Nova York, onde a série se passa. "Fase da puberdade, da primeira paixão, tudo isso, e a música que marca é a música dessa etapa da vida", explicou.

A série é produzida por Mick Jagger e Martin Scorsese
Divulgação/HBO
A série é produzida por Mick Jagger e Martin Scorsese

iG: Que intimidade você tinha com aquele mundo, com a indústria da música, na juventude?
Ray Romano: Eu não estava familiarizado com os bastidores do negócio do rock. Eu era um garoto do Queens. Mas aquela música me influenciou muito por causa da época da minha vida, eu tinha 16, 17 anos. Fase da puberdade, da primeira paixão, tudo isso, e a música que marca é a música dessa etapa da vida. 

iG: Você se surpreendeu com alguma coisa durante a pesquisa para o personagem que você realmente não soubesse sobre aquela época?
Ray Romano: Eu me surpreendi com a crueldade, com como aqueles caras eram implacáveis. Pode ser que ainda seja assim. É. Mas era desanimador pensar que aqueles caras venceram. Também foi surpreendente ver como eles eram injustos com os músicos. Teve gente que nunca viu um centavo por isso. No piloto fica claro como o dinheiro era dividido para que todo mundo recebesse uma parte.

Imagens da série "Vinyl". Foto: Divulgação/HBOImagens da série "Vinyl". Foto: Divulgação/HBOImagens da série "Vinyl". Foto: Divulgação/HBOImagens da série "Vinyl". Foto: Divulgação/HBOImagens da série "Vinyl". Foto: Divulgação/HBOImagens da série "Vinyl". Foto: Divulgação/HBOImagens da série "Vinyl". Foto: Divulgação/HBOImagens da série "Vinyl". Foto: Divulgação/HBO

iG: Como é ser dirigido por Martin Scorsese?
Ray Romano: Foi realmente genial. No início intimida, por ele ser quem é. Mas depois nós ensaiamos no quarto dele no hotel – eu, o Bobby Cannavale e dois outros caras. Eu estava habituado a dizer as minhas falas, mas a improvisar um pouco também. Na primeira vez que eu fiz isso eu não sabia como ele ia reagir. Mas ele reagiu bem, achou bom, e me perguntou se eu podia dizer aquilo na filmagem. E eu disse que sim, se ele quisesse. E ele quis, achou ótimo. 

iG: O seu papel é bem dramático. Você estava interessado em fazer um papel tão dramático?
Ray Romano: No piloto não é tanto, mas depois fica mais complicado. Eu estava, sim, em busca de um papel não extremamente dramático, mas de um filme ou alguma coisa do gênero. Eu não me importo de fazer comédia, mas eu não estava a fim de uma comédia em si. Se alguém tivesse me mostrado “Se Beber, Não Case", ou alguma coisa assim, eu faria se quisessem, mas eu estava interessado em algo mais profundo, com uma certa angústia. Eu fiz a série “Men of a Certain Age”, eu fiz “Parenthood” e alguns filmes indie. Mas a maior parte do público me viu em “Everybody Loves Raymond” e agora me verá nesta série. Vai ser uma mudança grande.

Ray Romano, Olivia Wilde e Bobby Cannavale estão em
Divulgação/HBO
Ray Romano, Olivia Wilde e Bobby Cannavale estão em "Vinyl"

iG: O tema da série é um império em decadência. Você acha que esse tema é atual de alguma forma? Existe alguma angústia ou paranoia sobre o que nós construímos e é precário?
Ray Romano: Os anos 70 foram muito confusos, e muita gente tentava entender o que estava acontecendo. É parecido com o que está acontecendo agora. Se você olhar para a música, havia muita novidade e eu acho que isso acontece hoje também. Eu acho que continuam surgindo grandes artistas e músicas, apesar de ser uma época de turbulência.

iG: Como você se sentiu usando aquelas roupas extravagantes dos anos 1970? 
Ray Romano: Eu não ligo para roupa, eu uso jeans e camiseta. Mas o meu personagem, não. Ele usa paletó e foi legal usar aquelas calças boca de sino. Eu tenho a bunda mais reta do mundo do espetáculo. E infelizmente isso não é um spoiler, é um aviso: eu faço uma cena de nudez. No sétimo episódio. Então, se você só me conhece do “Everybody Loves Raymond”, não veja o sétimo episódio. O Bobby Cannavale dizia que nos anos 70 os caras não eram malhados – você tinha que ser exatamente como você é agora. Eu acho que foi um elogio, não sei.


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